Crescer muda a operação. Mais pedidos, clientes, regiões, parceiros e sistemas aumentam também a quantidade de decisões que precisam ser tomadas todos os dias. Foi nesse cenário que o DATAFRETE Summit 2026 reuniu lideranças e especialistas para discutir como a logística estratégica participa das decisões de crescimento e o que está mudando na gestão de operações complexas.
Realizado sob o tema “Logística como estratégia de crescimento”, o evento reuniu perspectivas de empresas como Futfanatics, Unilog Express, Dati, UoouShop, Kona Marketing, Snapbot, Avanti, Mouts TI, TemLugar, Unique, Belluno, Sicoob e DATAFRETE. Apesar da diversidade, algumas discussões apareceram de forma recorrente: controle, dados, experiência do cliente, tecnologia, capital e capacidade de decisão.
O ponto em comum é que, conforme a operação cresce, a logística passa a influenciar decisões que vão muito além da entrega. Receita, margem, experiência, estoque, capital e tecnologia também entram nessa equação.
Crescer exige mais controle, não apenas mais capacidade
Uma das principais discussões do Summit foi a relação entre escala e controle. Na Futfanatics, Marcelo Alencar mostrou como o crescimento do e-commerce aumenta a necessidade de acompanhar processos, produtividade, indicadores e experiência do cliente. Na Unilog Express, Michiel Bassul organizou esse desafio em três pilares: pessoas, processos e tecnologia.
A apresentação trouxe exemplos de como essa estrutura é aplicada na prática. Na gestão de pessoas, a Unilog atribui pesos diferentes às atividades e acompanha a produtividade por pontos por hora, permitindo identificar diferenças de desempenho e oportunidades de melhoria. Nos processos, entram padronização, PDCA e scorecards para acompanhar resultados.
A Dati trouxe uma perspectiva complementar ao relacionar o aumento da complexidade a variáveis como pedidos, SKUs, regiões, parceiros, sistemas, capital e pressão sobre margem. Quanto maior essa combinação, menor o espaço para administrar a operação apenas por percepção.
O aprendizado é que crescer não significa apenas aumentar capacidade física. Significa aumentar a capacidade de gestão. Sem processos estruturados e dados confiáveis, mais volume pode significar apenas mais complexidade.

“Marketing promete. A logística entrega a verdade.”
Marcelo Alencar, COO da Futfanatics
A logística começa a participar da decisão antes da entrega
Outra discussão recorrente foi a aproximação entre logística e resultado comercial. Na UoouShop, Luiz de Souza apresentou a tese de que “a venda acontece antes da expedição”. Antes de concluir uma compra, o consumidor já considera disponibilidade, prazo, custo do frete e opções de entrega.
A UoouShop propôs acompanhar esse impacto por indicadores como conversão por faixa de frete e prazo, abandono após a simulação, receita por sessão, ticket médio e margem por região e modalidade. A ideia é transformar condições logísticas em variáveis que podem ser analisadas junto com o desempenho comercial.
A discussão se conecta à palestra da Kona Marketing. Mais tráfego não significa necessariamente mais crescimento. Produto, preço, prazo, frete, condição de compra e confiança fazem parte da mesma oferta. Uma campanha pode aumentar pedidos e faturamento e, ao mesmo tempo, pressionar margem, aumentar custos logísticos ou comprometer a experiência de entrega.
Um dos exemplos apresentados mostrou ainda o efeito composto de pequenas melhorias em aquisição, conversão, ticket e frequência. Quatro evoluções de 10% podem produzir um impacto próximo de 46% no resultado.
Por isso, a pergunta deixa de ser apenas “vendemos mais?” e passa a incluir: crescemos com margem, capacidade operacional e experiência?
Dados precisam deixar de explicar o passado para orientar decisões
Ter dados não significa necessariamente ter uma gestão orientada por dados. Na apresentação da Avanti, Jaison mostrou uma lógica baseada em investigar, monitorar, conectar, recomendar e automatizar. O objetivo é fazer a informação avançar até uma decisão.
Em uma operação complexa, saber que determinada parcela das entregas atrasou é apenas o começo. É preciso entender onde os desvios estão concentrados, quais parceiros ou regiões apresentam maior problema, qual impacto isso gera e o que pode ser feito a partir daquela informação.
A Dati trouxe uma discussão complementar ao mostrar que muitos problemas logísticos não acontecem necessariamente por falta de esforço, mas pela ausência de informação integrada. Antes de utilizar inteligência artificial, existe uma etapa anterior: construir uma visão confiável da própria operação.
“Antes da inteligência artificial, construa uma verdade operacional.”
Maicon Machado, Dati
O avanço, portanto, não está em ter mais dashboards, mas em transformar informação em contexto e contexto em ação.
Leia mais: Tracking logístico: como transformar dados de entrega em inteligência operacional
IA amplia possibilidades, mas depende de contexto e governança
A inteligência artificial apareceu em diferentes momentos do Summit, mas as apresentações convergiram em um ponto: IA não substitui uma base operacional mal estruturada.
Na Snapbot, Bruno Ribeiro mostrou essa aplicação no relacionamento com o cliente. Para uma comunicação inteligente, não basta identificar que um pedido atrasou. É preciso combinar evento, cliente, pedido, histórico e política para definir qual ação deve acontecer, o que pode ser comunicado e quando uma situação precisa ser escalada.
A discussão também avançou sobre autonomia. Agentes podem executar ações dentro da operação, mas isso exige permissões, regras, auditoria e controle humano. Na Mouts TI, Robson Cristovão trouxe uma perspectiva semelhante ao discutir IA aplicada a processos de negócio e a importância de contexto, conhecimento, ferramentas e limites.
Isso muda a forma de pensar a adoção da tecnologia. Antes de perguntar qual solução de IA implementar, a empresa precisa entender quais problemas quer resolver, quais dados possui e quais regras orientam suas decisões.
Para operações logísticas, o ponto não é simplesmente usar mais IA. É criar as condições para que a tecnologia gere decisões melhores.

Custo e experiência precisam ser analisados de ponta a ponta
O Summit também mostrou que decisões logísticas não podem ser avaliadas por uma única métrica. Na plenária da DATAFRETE, a discussão sobre custos logísticos partiu da necessidade de entender onde o dinheiro está sendo perdido, e não apenas acompanhar o valor final da conta frete.
A TemLugar levou essa lógica para a armazenagem: menor preço não significa necessariamente menor custo. Localização, capacidade, infraestrutura e aderência às características da operação também interferem no resultado.
Ao mesmo tempo, a experiência do cliente apareceu como consequência direta dessas decisões. Na Snapbot, Bruno Ribeiro mostrou que o consumidor não separa transportadora, sistema, SAC ou logística. Ele enxerga a experiência da marca.
A Belluno ampliou essa visão para o fluxo financeiro da venda, mostrando que aprovação, segurança, conciliação e recebimento também fazem parte da eficiência operacional. Já a participação do Sicoob trouxe o capital para a discussão de crescimento, lembrando que aumentar estoque, estrutura ou capacidade também exige recursos para financiar a expansão.
A Unique acrescentou outra dimensão ao discutir importação como estratégia de competitividade, mostrando que decisões sobre fornecedores, produtos e mercados também podem alterar a capacidade de crescimento.
Essas perspectivas parecem diferentes, mas reforçam a mesma lógica: custo, experiência, capital e capacidade operacional estão conectados. Uma decisão que melhora um indicador isoladamente pode gerar impacto em outra parte do negócio.
Leia mais: Comportamento do consumidor na logística: impactos no frete e na experiência
O que o DATAFRETE Summit 2026 revela sobre o futuro da logística?
As discussões indicam uma logística cada vez mais integrada às decisões de negócio. Conforme as operações crescem, controle, dados, tecnologia, experiência e custos passam a ser analisados de forma conectada.
A primeira edição terminou. As conversas que começaram aqui, não.
Nos vemos no DATAFRETE Summit 2027.

Perguntas frequentes sobre o DATAFRETE Summit 2026
O que foi o DATAFRETE Summit 2026?
O DATAFRETE Summit 2026 foi a primeira edição do evento realizado pela DATAFRETE, reunindo lideranças e especialistas para discutir logística, gestão, tecnologia, dados, inteligência artificial e crescimento.
Qual foi o tema do DATAFRETE Summit 2026?
O tema da primeira edição foi “Logística como estratégia de crescimento”, conectando decisões operacionais a questões como receita, margem, experiência do cliente, tecnologia, capital e expansão.
Quais foram os principais aprendizados do DATAFRETE Summit 2026?
As discussões mostraram que o crescimento aumenta a complexidade das operações e exige mais controle, dados confiáveis e capacidade de decisão. Também reforçaram a relação entre logística, vendas, experiência do cliente, custos, capital e tecnologia.